Especialista da Brand analisa impacto de fake news nas eleições 2018

Especialista da Brand analisa impacto de fake news nas eleições 2018

 

As eleições de 2018 prometem ser um terreno fértil para disseminação de notícias falsas. O emprego de robôs para impulsionamento nas redes sociais e o patrocínio de posts durante a campanha, que não era permitido nas eleições anteriores, devem potencializar esse fenômeno que ganhou evidência em pleitos recentes nos EUA e na Europa.

O problema não é exclusividade da internet, nem é uma novidade. Há décadas esse expediente vem sendo utilizado nas campanhas eleitorais, por exemplo, na forma de panfletos “apócrifos” despejados nas madrugadas, tática utilizada para denegrir a imagem de adversários políticos.  Na atualidade, o que mudou foi o alcance e a velocidade com que esses assuntos se espalham. Levantamento realizado pelo Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai), da Universidade de São Paulo (USP) revela que essa ameaça é bem maior do que se imaginava. Somente nas redes sociais, 12 milhões de pessoas compartilham informações falsas. Impressionante!

Em 2018 as fake news tendem a superar, em muito, o volume de conteúdo das eleições anteriores. Especialistas alertam: à medida em que cresce a tecnologia, com emprego de robôs para impulsionamento nas redes sociais, acumula-se expertise para ataques cognitivos sofisticados – pois são dirigidos aos eleitores de forma segmentada, segundo as suas preferências registradas nos algoritmos.

Num contexto de polarização política – em que os extremos estarão motivados ao ativismo – as eleições brasileiras deste ano terão muitos ingredientes para uma “guerra de narrativas”, onde vai ser difícil separar o que seja verdade da mentira. Além dos usuários das redes interagirem, preferencialmente, com pessoas com quem partilham ideologias e visões de mundo, formando as chamadas bolhas narrativas, os brasileiros estão, ao lado dos chilenos, entre os que mais compartilham informação no mundo: 64% têm esse tipo de engajamento, segundo pesquisa realizada com 70 mil pessoas, em 36 países, pela Reuters Institute for the Study of Journalism da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Ao mesmo tempo, 65% usam smartphones e, portanto, levam o clique e a possibilidade de compartilhamento para onde vão. E mais: 60% acreditam nas notícias com as quais interagem, que chegam principalmente pelo Facebook e WhatsApp.

Boatos que se espalham pela internet comprometem a imagem de candidatos, induzindo eleitores ao erro na hora de decidir o voto. Em uma campanha eleitoral curta, de apenas 45 dias, qualquer exposição negativa decorrente de notícia falsa pode significar o fracasso de uma candidatura, além de outros danos. Os staffs de campanha terão que lidar com isso de forma profissional, contratando especialistas em comunicação e mídias sociais para contrapor narrativas e desmentir boatos em tempo real. O desafio é ainda maior quando se pensa no poder de disseminação de uma rede social como o WhatsApp, onde a troca de mensagens é privada e muitas vezes se compartilham notícias falsas acreditando ser verdadeiras, pois são repassadas por pessoas próximas e conhecidas.

Esse processo de “desinformação” enfraquece a democracia, pois a livre manifestação do voto depende sobretudo da capacidade que o eleitor terá de receber informações e conteúdos isentos e originais sobre os candidatos, para formar então sua opinião e decisão na hora de escolher seus representantes na urna.  Para piorar faltam ainda, no âmbito da Justiça Eleitoral, mecanismos efetivos para coibir o uso criminoso das fake news.

Lucas Margotto, consultor político especialista em eleições. Vitória-ES

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