Cuidado! A política entra pelos olhos

Cuidado! A política entra pelos olhos

O primeiro contato do indivíduo com a informação política será sempre fornecido, pelo o sistema sensorial. Nele estão os pontos de contato com o mundo: a boca, o nariz, os olhos, o ouvido e a pele. As vias sensoriais são como novos filtros moduladores por meio do qual é transmitida a mensagem política. Com a diferença que estão no próprio indivíduo e são manejados por ele. Tais pontos de contato não são algo externo, mas parte de seu próprio corpo.

Os pesquisadores afirmam que os seres humanos usam as vias sensoriais de duas maneiras: em primeiro lugar para a experiência da realidade e em segundo lugar, psicologicamente, para reintroduzir esta realidade.

Podemos dar um exemplo simples: ao vermos um objeto externo a nós (nós experimentamos, construímos mentalmente uma imagem dele). Em seguida, mesmo longe desse objeto, somos capazes de ver na nossa mente o mesmo objeto (reconstruímos a realidade em nossa mente).

Portanto: as vias sensoriais influenciam no modo (ou forma) como eles pensam que a informação é recebida. Para efeitos de simplificação prática, podemos falar de três sistemas sensoriais: sistema visual, o sistema auditivo e o sistema cinestésico.

1. O sistema visual refere-se à aparência e visualização, incluindo os aspectos relacionados com o espaço (forma, movimento, cores …)

2. O sistema auditivo refere-se ao exterior escutar e falar, incluindo sons, música, ruídos e linguagem externa e interna falado

3. O sistema cinestésico refere-se principalmente às sensações táteis (tato, temperatura, umidade…), as sensações lembrando o sentimento interior de equilíbrio e consciência corporal. Para fins educacionais, cabe incluir aqui os sentidos do paladar e do olfato.

A Programação Neurolinguística (PNL) é um instrumento muito valioso para a compreensão dos mecanismos sensoriais vinculados a comunicação. Como a PNL explica, todos usam os três sistemas sensoriais, no entanto, há sempre um que predomina em cada indivíduo.

Trazendo para o Marketing Político, alguns serão impactados pela voz e palavras do candidato, outros por seu sorriso e sua imagem, e outros pelas sensações físicas que sentem diante dele.  Em cada caso, dependerá do sistema sensorial predominante em cada eleitor. Nesse sentido, a informação absorvida por meio das vias sensoriais é igualmente convincente e persuasiva?

Há várias décadas Albert Mehrabian investigou os fatores que influenciam a comunicação persuasiva. E identificou um padrão, nascendo assim a famosa regra do 7-38-55. Para ele cada informação absorvida por meio das vias sensoriais tinha um peso diferente. Ele isolou três fatores fundamentais na persuasão:

  1. a imagem visual

  2. as qualidades da voz

  3. o conteúdo das palavras

Qual é o peso de cada fator?

Segundo essa “regra”, 7% da comunicação seria atribuída ao componente verbal (seu significado, conteúdo), 38% ao componente vocal (no caso específico, o volume e tom da voz) e 55% ao componente visual (expressão facial, postura corporal, gestos, movimentos, cores, contrastes, figura-fundo).

Deste modo, A via sensorial visual, então, tem um papel especial na busca e obtenção de informação política, levada a diante pelo cérebro. Em razão disso, a via visual vai fornecer informações altamente relevantes e sensíveis, derivada da decodificação das emoções e as atitudes dos comunicadores políticos.

Por isso, não se esqueça! A política tem sua origem principalmente por meio dos olhos.

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Darlan Campos é Historiador, Professor Universitário e Consultor em Comunicação e Marketing Político

 www.darlancampos.com.br

 Twitter: @Darlan_Campos

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